quarta-feira, 27 de abril de 2011

Música em tributo a João Paulo 2º terá trechos de seu discurso


Palavras do papa João Paulo 2º, que será beatificado no próximo domingo, que ele pronunciou no início de seu pontificado, nos anos 70, foram inseridas na letra da música "Non abbiate paura" ("Não tenha medo", em tradução livre do italiano), composta em homenagem ao ex-pontífice.
O trecho da canção de autoria do papa é, em tradução literal: "Não tenha medo, lhes peço, lhes imploro com humildade e com confiança em Cristo de falar ao homem... Ele tem a palavra da vida... Sim, de vida eterna".
As palavras do futuro beato foram pronunciadas em seu discurso de 22 de outubro de 1978 e obtidas pela Livraria Editora Vaticana (LEV). O Centro Televisivo Vaticano, por sua vez, autorizou a utilização do vídeo do discurso.
A música foi escrita por Francesco Fiumanò, composta por Giorgio Mantovan e interpretada por Matteo Setti.
"É uma experiência única na vida poder interpretar uma música na qual tem frases autênticas tirada de um discurso de [Karol] Wojtyla. [O fato de terem] escolhido um cantor jovem acredito que respeita um pouco o que o Santo Padre quis fazer com o dia dedicado aos jovens", disse o cantor, acrescentando que as gravações foram encerradas na semana passada.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

João Paulo II: um conservador que revolucionou a Igreja

CIDADE DO VATICANO, 25 Abr 2011 (AFP) -O Papa João Paulo II (1920-2005) foi um líder religioso enormemente reverenciado como um dos responsáveis pela ruína do Comunismo no Leste Europeu, mas há quem dia que tenha afastado muitos católicos, com uma visão social conservadora.

Primeiro Papa não italiano em mais de 400 anos, e primeiro do Leste Europeu, o polonês Karol Wojtyla era muito popular, evitando a pompa que cercou seus antecessores e buscando contato com pessoas comuns.

Ele será agraciado no domingo em uma cerimônia solene de beatificação na Basílica de São Pedro que dará ao último pontífice a posição de "abençoado" para os mais de 1,1 bilhão de católicos em todo o mundo e vai colocá-lo no caminho da santificação.

Suas viagens o levaram a 129 países, onde defendeu a paz, denunciou o desrespeito aos Direitos Humanos e lamentou a decadência do mundo moderno.

Ele deixou um de seus atos mais memoráveis para o ocaso de seu pontificado - uma tentativa de purificar a alma da Igreja Católica Romana com um pedido de desculpas para varrer os pecados e erros cometidos durante seus 2.000 anos de existência, evocando implicitamente as Cruzadas, a Inquisição e o Holocausto.

João Paulo II nasceu em uma pequena cidade perto da Cracóvia, no sul da Polônia, em 18 de maio de 1920. Sua mãe morreu quando ele tinha oito anos e seu pai o criou, dando aulas de alemão e ensinando o filho a jogar futebol.

Ele estudou na Universidade Jaguelônica, na Cracóvia, onde ficou fascinado por teatro e escreveu algumas peças.

João Paulo nunca foi membro da resistência polonesa, mas a experiência da guerra levou-o a optar pela vida religiosa.

João Paulo se tornou pároco e ascendeu rapidamente na hierarquia da Igreja, chegando a cardeal.

Quando foi eleito Papa, em outubro de 1978, João Paulo tinha 58 anos; era um homem de porte atlético que não estava entre os maiores nomes da vasta burocracia da Santa Sé.

Sua primeira visita ao exterior foi a sua Polônia, inaugurando uma era de viagens pelo mundo que durou 27 anos com sua marca registrada de se ajoelhar para beijar o chão na chegada a cada novo destino.

Apesar das advertências dos soviéticos, as autoridades comunistas não foram capazes de impedir a visita do Papa em 1979, quando apareceu diante de mais de um milhão de pessoas que clamavam respeito aos Direitos Humanos.

O valor simbólico da visita foi imenso, revigorando o movimento anticomunista e levando ao nascimento do sindicato Solidariedade, um movimento de trabalhadores de oposição, dentro da Cortina de Ferro que se estendia na Europa Central e no Leste Europeu.

Com sua imensa popularidade, o Papa, afastou muitos católicos por meio de seus ensinamentos morais -- principalmente relacionados aos valores familiares, ao sexo fora do casamento, à homossexualidade, ao controle de natalidade, à eutanásia e ao aborto.

Reformistas, congregações jovens e do Terceiro Mundo, que enfrentava o alastramento devastador da Aids, ficaram cada vez mais desapontados com sua recusa em ceder na questão dos métodos contraceptivos.

Afetada pelo escândalo de padres pedófilos, o Papa, a pedido dos bispos americanos, aprovou novas medidas para punir padres que cometessem abusos sexuais.

Em 1981, ele esteve perto da morte quando o extremista turco Mehmet Ali Agca tentou matá-lo, atirando à queima-roupa na Praça São Pedro. Uma bala entrou em seu abdômen e outra quase acertou seu coração.

Os motivos por trás da tentativa de assassinato nunca ficaram claros: teorias da conspiração incluindo o serviço secreto búlgaro sob as ordens da KGB e uma tentativa de radicais islâmicos de matar o mais proeminente líder cristão foram levantadas.

O Papa disse que a Virgem Maria salvou sua vida e inseriu uma das balas em uma coroa cravejada de diamantes da Virgem de Fátima, em Portugal.

Ele se reuniu com cada grande líder de Estado ou Governo.

Os Estados Unidos, a União Soviética e, depois, a Rússia, os países do antigo bloco soviético, o México, Israel, a Jordânia e a Organização pela Libertação da Palestina estabeleceram relações diplomáticas com o Vaticano durante o seu pontificado.

João Paulo foi o primeiro papa a rezar em uma sinagoga, em Roma; o primeiro a entrar em uma mesquita em um país islâmico, em Damasco, Síria; e o primeiro a presidir um encontro de líderes das maiores religiões mundiais, em 1986.

João Paulo sofreu com vários problemas de saúde nos anos 1990, incluindo uma cirurgia para a retirada de um tumor benigno intestinal, um ombro fraturado, uma fratura no fêmur e o Mal de Parkinson, que o deixou muito debilitado.

Karol Wojtyla morreu aos 84 anos, em 2 de abril de 2005.

Mais de 50 mil poloneses vão a Roma para beatificação de João Paulo 2º


De avião, trem, carro, ônibus, mais de 50 mil poloneses se preparam para viajar a Roma para assistir, no domingo (1º), à cerimônia de beatificação do papa João Paulo 2º. Os funerais, em abril de 2005, de Karol Wojtyla, já venerado, então, como santo em seu país natal, atraíram a Roma cerca de meio milhão de poloneses.
Sua beatificação, em um tempo recorde de seis anos e um mês depois, desperta uma grande alegria na Polônia.
"Estamos preparados para organizar a partida de cerca de 5.000 pessoas, numa centena de ônibus e dois aviões. Até agora, tivemos 3.000 inscrições", informou Marcin Szklarski, presidente da companhia Orlando, especialista em peregrinações.
"Acho que haverá entre 50 mil e 60 mil poloneses em Roma por ocasião das cerimônias, entre eles 30.000 a 40.000 vão fazer reservas com as empresas de turismo", estima.
PREÇOS ALTOS
Szklarski acusa a imprensa de tentar desencorajar os peregrinos, falando de grandes multidões e de preços exorbitantes em Roma.
"Isto é parcialmente justificado, porque os hotéis romanos aumentaram seus preços e desencorajaram muitas pessoas", reconheceu.
No entanto, a oferta parece ser interessante: um deslocamento de cinco dias em Roma por cerca de 250 euros parece bem acessível a um polonês de classe média.
A crise econômica não está em causa, segundo Janusz Czapinski, professor de psicologia social da Universidade de Varsóvia. "Os poloneses têm, hoje, rendimento muito maior do que na época da morte de João Paulo 2º. A crise mundial apenas roçou a Polônia e nós, praticamente, não a sentimos", destacou ele.
No entanto, explica ele: "O paradigma cultural estabelecido na Polônia requer nossa presença na cerimônia de adeus, de morte, mas a tradição não diz o mesmo em relação a uma cerimônia de beatificação ou de canonização".
Assim, "se não houver uma grande afluência, isto não significa uma diminuição da autoridade de João Paulo 2º. Ela está intacta. João Paulo 2º permanece um ponto de referência para todos na Polônia", acrescentou ele.
POLÍTICOS E SINDICATOS
Para ir a Roma, o presidente Bronislaw Komorowski convidou para viajarem em seu avião seus dois predecessores: Aleksander Kwasniewski, um ex-comunista, e Lech Walesa, líder histórico do sindicato Solidariedade.
Milhares de sindicalistas vão se deslocar ao Vaticano por diferentes meios de transporte, entre eles um trem especial que levará 800 militantes das regiões de Varsóvia e de Katowice (sul).
"Quando o papa veio à Polônia pela primeira vez, em 1979, pudemos ver como éramos numerosos. As pessoas passaram a não mais ter medo do regime. O Solidariedade deve em grande parte sua existência à coragem tirada do pontificado de João Paulo 2º. Difícil imaginar que não estejamos lá, durante a beatificação", declarou Ewa Zydorek, membro da direção do sindicato.
O parlamento polonês alugou um avião especial para transportar os deputados de diferentes formações políticas, desejosos de participar das cerimônias.
Já os eleitos do partido conservador Direito e Justiça (PiS), de Jaroslaw Kaczynski, que boicota as instituições do país, vão se manifestar à parte: eles alugaram um trem especial que transportará a Roma 250 membros e simpatizantes deste partido de oposição.
"Mas, em Roma, estaremos todos juntos, no mesmo setor" da praça São Pedro, assegurou o porta-voz do PiS, Adam Hofman.